Mostrando postagens com marcador viagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador viagem. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de agosto de 2020

Desconforto e narrativas

Acredito que, na vida, quem vive bem é quem sabe lidar bem e gerenciar os próprios desconfortos.

Primeiramente, o que quero dizer com desconforto? A ideia aqui é utilizar a palavra desconforto em um sentido mais amplo. Há desconfortos que eu chamaria de físicos, como dor, calor, frio, fome, sono. E desconfortos que eu chamaria de psicológicos/emocionais, como tristeza, raiva, saudade, solidão, ansiedade.

Viver, por si só, equivale a sentir desconfortos. Falando sobre isso com minha psicóloga, ela levantou a idéia de que os desconfortos estão relacionados às nossas necessidades.

Lidar bem com os nossos desconfortos estaria relacionado a como lidamos com as nossas necessidades. O grande problema é que, muitas vezes, temos necessidades conflitantes. Assim como temos necessidade de descansar quando estamos com sono, temos necessidade de preparar comida e nos alimentar quando estamos com fome. Mas e sentimos os dois?

Já em um nível de abstração maior, minha namorada, a Carol, disse que a ferramenta que usamos para lidar com os desconfortos é a narrativa. As narrativas que criamos diante das nossas necessidades e desconfortos permitem que lidemos com elas de maneira positiva ou negativa. E eu concordo.

Por exemplo, se alguém nos promete alguma coisa e não cumpre, podemos adotar a narrativa de que a pessoa falhou e, portanto, a raiva que sentimos em relação a ela é legítima. Ou podemos adotar a narrativa de que ela teve algum problema e não conseguiu ou que já deveríamos esperar isso das pessoas porque elas são falhas. O sentimento de frustração talvez seja o mesmo, mas a forma como lidamos com ele através da narrativa muda.

Isso implica que as narrativas que criamos teriam muito mais importância sobre nossas vidas do que a maioria das pessoas entende ou consegue perceber. Por isso, é interessante que prestemos mais atenção nas narrativas que criamos. Isso permitiria que tomássemos mais controle sobre elas, sobre a forma como nos sentimos, sobre nossas vidas e, por consequência, que vivêssemos melhor.

Memento mori... Só que não

Há algumas semanas atrás, me peguei tendo uma saudade grande da minha mãe que gerou uma reflexão. A morte da minha mãe, pra mim, não fez muito sentido por alguns motivos. Primeiro, porque era uma morte que, ainda hoje, eu acho que poderia ter sido evitada. Segundo, porque eu acho que ela não queria ter morrido. E, terceiro, porque a vida dela fazia sentido pra mim.

A morte dela não fez sentido, mas a vida dela fazia. Isso me gerou alguns questionamentos.

Na filosofia, há uma frase famosa, enunciada como "memento mori", da qual uma tradução possível seria "lembre-se de que você vai morrer". E por que isso é importante?

Para quem é adepto dessa filosofia, lembrar-se da inevitabilidade da morte nos faria dar menos importância a coisas superficiais e passageiras, como o orgulho e a vaidade. Lembrar-se da morte nos faria dar mais valor às coisas verdadeiramente importantes.

Por exemplo:

"Briguei com as pessoas que eu gosto por conta de coisas não muito importantes. Não vou ser orgulhoso, vou pedir desculpas, pois pode ser que eu morra amanhã ou depois e não quero perder tempo de vida brigado por coisas pequenas."

Ou...

"Posso morrer amanhã ou depois, logo, vou fazer o meu melhor para deixar algo pra minha família que lhes possa ajudar ou dar um sustento."

Contudo, discordo desse pensamento. Não acho que a morte é que deve dar sentido à vida. Já há algum tempo, eu acho que a vida deve valer por ela mesma. A morte é, justamente, o que tira o valor da vida.

A morte é o fim último da vida, é o que acaba com a existência em um determinado sentido. Assim como eu acho que o valor da vida está na vida, acredito que o valor das coisas está no caminho e não nos fins. Os fins só servem como objetivos ou passagens intermediárias em um contexto maior de contiuidade.

Você normalmente só se preocupa em ir trabalhar e receber um salário pois acredita que vai continuar vivo mês que vem e que terá que pagar as contas e alimentação. A consciência dessa continuidade é que dá sentido à sua atitude de trabalhar por dinheiro.

Quase todas as metas que se colocam na vida são em favor do caminho em si ou da continuidade. Você normalmente só planeja em se formar na faculdade porque acredita que isso vai ser importante para sua vida depois ou pelo conhecimento adquirido em si. Não pelo próprio objetivo de se formar. E, mesmo que fosse pelo simples objetivo de se formar, a sua vida não acabaria ali. Sua vida não perderia sentido porque outros objetivos viriam e continuariam dando sentido à vida. A continuidade dá o sentido. Se, depois que se formasse, sua vida não tivesse mais sentido, não foi o objetivo de se formar que deu sentido à sua vida. Foi o objetivo de se formar que o tirou. Pois o fim tira o sentido da coisa e sua existência.

Se você tivesse a certeza que iria morrer daqui a um mês, não teria sentido entrar em uma faculdade agora, exceto se for algo que você goste de estudar, se for uma experiência que você queira ter ou tiver algo que queira aprender nesse último mês. Reitero, é o valor das coisas e da vida estão nelas mesmas.

Assim como só vale à pena construir patrimônio e deixar herança pela atividade em si ou para deixar como um legado importante. Só vale à pena escrever um livro pelo prazer ou aprendizado de escrever em si ou pra deixar para a posteridade, para a continuidade.

Diante do fim, diante da presença da morte, para as pessoas que não tem visão de continuidade, as coisas deixam de fazer sentido. Na proximidade da morte, aquilo que não faria sentido na vida "normal" pode passar a ser cogitado. Entram aqueles questionamentos do tipo "se você fosse morrer em um mês, o que faria? Assaltaria um banco? Andaria pelado na rua? Abandonaria o emprego e iria mergulhar com tubarões?". Na presença da morte, tudo é justificável e nada faz sentido.

Claro a sabedoria e o conhecimento que as coisas se acabam é importante. Mas não é isso que dá valor às coisas. Quando alguma coisa se vai, é a memória e o que fica dela que é importante.

Com base nessas reflexões, como devemos encarar a vida?

A vida deve ser encarada como se não fosse ter fim, com a consciência de que suas ações tem consequências. Se você morre, fica o que você deixou. As coisas continuam. Inclusive se você briga com quem você tem apreço. Isso tem consequências e continuidade, e isso importa. E, por isso, valeria à pena abrir mão da vaidade e do orgulho e não porque você vai morrer em algum momento. Porque, se pensamos que tudo, inclusive o universo, vai ter fim um dia, então qual seria o sentido das coisas? Logo, por mais que, racionalmente, saibamos que o fim existe, que vivamos como se não soubessemos, mas, repito, com a consciência de que as coisas tem consequências e de que as consequências importam.

PS:  Escrevi este texto como forma de provocação. Se as coisas fossem realmente infinitas e não acabassem, elas também não fariam sentido. A solução? Abraçar o niilismo.

Sobre empresas e barcos

Eu gosto da metáfora de que empresas são como barcos numa competição. O objetivo da competição não é exatamente chegar a um lugar específico, mas ser o barco que está à frente na corrida, o barco mais rápido.

E no que isso implica?

Quando você é contratado pela empresa, você entra no barco e passa remar junto com os outros pra tentar fazer o barco navegar mais rápido. No barco, você ganha sua alimentação e seu sustento, mas tem que dedicar boa parte do seu dia e da sua vida remando.

Se o barco começa a ficar pra trás na competição e perde velocidade, a probabilidade de que ele afunde é maior.

Ninguém no barco quer que ele afunde, porque isso significaria ficar sem sustento. Em especial, os chefes e capitães do barco, porque se tiverem que ingressar em outro barco, é possível que tenham que voltar a remar e não apenas dar as ordens para os outros remarem. Além disso, os chefes e capitães são os que ganham a maior parte das bonificações dos integrantes do barco.

Para o que remam, em geral, é melhor ser integrante do barco e ter que remar (pois isso significa que haverá comida e sustento) do que não participar da corrida e ficar sem nada. Por isso, em muitos casos, eles estariam dispostos a aceitar condições em que teriam que remar muitas horas e ganhando pouca comida, face à alternativa de não ter nada. Além disso, quando o barco vai bem, muitos dos que remam sentem orgulho do barco, pois vêem o desempenho do mesmo como reflexo das suas remadas.

Por isso, as pessoas vão querer defender o próprio barco com afinco e seriam capazes de abrir mão de muita coisa pelo barco (mesmo que as condições de quem rema no barco não sejam as melhores). Se o barco afunda, não é o barco que perde. É todo mundo que tá nele. As pessoas se tornam dependentes do barco.

E quais as regras da competição?

Bom, isso varia de lugar pra lugar. Geralmente, as regras para os barcos consideram que deve haver um limite máximo de tempo por dia que os integrantes do barco podem ficar remando e deve haver um limite mínimo de comida e sustento que o integrante de barco deve ganhar.

Se não há essas regras?

Aí depende... Se tiver muito barco e as pessoas puderem escolher com facilidade em quais barcos elas querem entrar, não é tão problemático para as pessoas. No entanto, geralmente, as vagas nos barcos são limitadas e bem disputadas. E se você já não estiver em um barco e não tiver qualificação de chefe ou capitão, as chances de você ficar de fora da corrida são grandes.

Se a dificuldade de conseguir vaga em um barco é grande, você está mais sujeito a aceitar condições piores de remada e vai ter mais medo que o barco afunde.

Se as regras não existem, é bem possível que, na condição em que há poucos barcos, as horas de remadas sejam altas e a alimentação seja parca. Afinal de contas, é uma competição. O barco cujos integrantes remam mais tempo e que dá menos sustento per capita a eles (logo, é capaz ter ter mais gente remando por quantidade de comida) consegue ir mais rápido. Os que ficam pra trás correm risco de afundar. Logo, nesse contexto, haveria um incentivo para manter os integrantes remando mais tempo com menos comida.

E se os integrantes estiverem insatisfeitos com as condições no barco?

Eles podem tentar achar outro barco, se puderem, em busca de condições melhores. Os problemas são que nem sempre é fácil conseguir vagas em barcos e que os diferentes barcos acabam oferecendo condições similares a seus remadores (pois eles estão em uma competição).

Uma nota pra quem é a favor da liberdade: "liberdade de escolha" entre passar fome e ser semi-escravo não é liberdade, visto que muita gente acaba se vendo sem alternativas de buscar condições melhores.

Por isso, é importante sim que a associação de barcos ou o organizador da competição institua as regras. Caso contrário, quase tudo é válido.

Vontando ao mundo real...

Pode-se questionar que a tecnologia tem dado mais produtividade às empresas e que a maior parte do trabalho tem sido automatizada, portanto, não haveria tanto incentivo para a exploração do trabalho das pessoas. No entanto, na metáfora dos bacros, os recursos gastos com a alimentação das pessoas poderia servir também para representar os recursos gastos com a tecnologia. Mais dinheiro que se usa para pagar funcionários das empresas significa menos dinheiro pra investir em tecnologia e produtividade, logo, o incentivo de manter baixo o sustento dado aos remadores permanece.

Sobre a competição...

Por que ela existe? E se não existisse? Deveria haver regras diferentes? Tudo isso há de se questionar, mas não sou eu que vai responder. Estou apenas descrevendo uma competição de barcos.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A coisa mais importante do mundo

Confesso que, quando iniciei a escrita deste texto, não sabia muito bem aonde queria chegar. Ainda não sei para falar a verdade.

Felicidade? Amor? Tempo? Família? Amigos? Qual é a coisa mais importante do mundo?

Amor... Amor redime, amor salva, amor cura. Amor dá sentido à vida. Há quem acredite que sem amor a vida não é completa.

Felicidade... Felicidade é um conceito mais vago e subjetivo. Pode incluir a construção de uma família ou alcançar alguma meta profissional. Geralmente é associado ao conjunto da obra de uma vida, de tijolos colocados um a um, que levam a um estado de espírito superior. É o que imaginamos que resta depois que alcançamos um sonho. Muitas vezes é a finalidade de uma vida.

Sonhos... Sonhos são a síntese do que queremos. É o ideal platônico encarnado em nós. Todos desejamos alguma coisa. Todos somos seres desejantes. Quem não tem um sonho, não tem nada.

"Sonhos. Cada homem necessita perseguir seu sonho. Cada homem é torturado por seu sonho, mas é o sonho dá significado à sua vida. Mesmo que o sonho arruíne sua vida, o homem não pode permitir-se a deixá-lo para trás. Neste mundo, seria o homem capaz de possuir algo mais sólido que um sonho?"

Há quem diga que nada disso basta e que nada disso faz sentido se não vivemos uma vida moral. Se mentimos, enganamos ou roubamos para conseguir o amor de uma pessoa, alcançar a felicidade ou um sonho, ainda são válidas as coisas que conquistamos? Faria sentido ter amor e felicidade se somos canalhas, traiçoeiros e ardilosos? Ou valeria mais à pena ser infeliz e sozinho e ser uma pessoa correta? Os fins justificam os meios? A moral e o caráter valem mais que amor, felicidade e sonho?

Queria terminar este texto com um trecho do discurso de formatura de David Foster Wallace no Kenyon College, "Isso é água". Ainda quero retomar uma discussão sobre essa palestra futuramente em outro post, mas, desde já, recomendo.

"Porque existe uma coisa que é estranha, mas é verdade: nas trincheiras do dia-a-dia da vida adulta, não há uma coisa chamada 'ateísmo'. Não existe algo como 'não venerar'. Todo mundo venera. A única escolha que fazemos é o que venerar... Se você venera dinheiro e coisas - se isso é onde você encontra significado na vida - então você nunca terá o bastante. Nunca sentirá que tem o bastante. É a verdade. Venere seu próprio corpo e beleza e atração sexual e você sempre se sentirá feio, e quando o tempo e a idade começarem a aparecer, você morrerá um milhão de mortes antes de finalmente morrer... Venere o poder - você se sentirá fraco e com medo, e você vai precisar de cada vez mais poder sobre os outros para manter o medo controlado. Venere seu intelecto, ser visto como inteligente - você vai acabar se sentindo estúpido, uma fraude, sempre no limite de ser descoberto."
- David Foster Wallace

Qual é a coisa mais importante na sua vida? O que você venera?

Há sempre aquela coisa que é, ao mesmo tempo, causa potencial de nossas alegrias e tristezas. Tudo depende do que você quer e do que você valoriza.

domingo, 10 de agosto de 2014

Observe, Pense, Aja e Reaja

(Post original de 2010 que eu recuperei e editei. Queria lembrar o porquê da revolta na época...)

Fuja do óbvio. Seja autêntico. Faça o que gosta e o que tem vontade. Tenha bom gosto. Faça as coisas certas. Seja uma pessoa legal. Liberte-se. Corra atrás da felicidade. Seja paciente. Não se deixe ser passado para trás. Lute. Ofereça a outra face. Obedeça às regras. Tenha disciplina. Seja competente. Blá blá blá.

Às vezes é cansativo viver entre pessoas. Cada um tem uma concepção de vida e tem uma opinião de como deve ser o mundo.

Claro, simplesmente não dá pra atender às expectativas de todos, mas também não podemos ser egocêntricos e esquecer que vivemos em sociedade, fazer o que quisermos e tacar um foda-se bem grande para tudo.

A verdade é que estamos em uma prisão sutil e silenciosa e, como disse Sartre, "o inferno são os outros".

Por vezes dá vontade de fazer alguma loucura e jogar tudo pro ar.
Qual é a solução? Encher a mente de coisas para esquecer das faces desagradáveis da realidade? Tomar um veneno e dormir pra sempre? Ou talvez se rebelar contra tudo e contra todos?

"Cansei de ser eu mesmo por hoje. Amanhã serei alguém diferente."

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Temas universais

Tenho um sonho de um dia escrever algo que seja universal
Gostaria de falar sobre algo que seja comum a todas as pessoas, sem exceção
A única coisa que imagino que possa se aproximar disso seriam sentimentos
Porém, sentimentos são complicados
Prefiro falar sobre a gravidade que nos cerca

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Sensibilidade

"Really don't mind if you sit this one out
My word but a whisper, your deafness a shout
I may make you feel but I can't make you think
Your sperm's in the gutter, your love's in the sink"

Ter sensibilidade é perceber as sutilezas da vida e entender que detalhes podem fazer toda a diferença. Afinal, o que é diferente chama a atenção e se destaca.

Se você não vê o lado poético da vida, você não é feliz. No máximo tem um senso hedonístico de felicidade. Porém, a vida também não é para os fracos de coração. Merda acontece.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Prisão

A racionalidade é uma prisão chamada loucura.
A pessoa que é demasiada racional pode ficar frustrada por achar que não deve ficar frustrado, triste ou com raiva, visto que se sentir assim não faz o menor sentido, não resolve problema nenhum e, em geral, não traz benefício.
Às vezes é preciso fugir de si mesmo para não enlouquecer.
É necessário optar por uma loucura diferente.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Passado, presente e futuro

Felicidade é a força do presente.

Felicidade é dar significado a cada momento.

Não necessariamente precisamos viver como se hoje fosse o último dia de nossas vidas. E não necessariamente cada dia deve representar apenas uma projeção daquilo que esperamos para o futuro.

Os dias talvez devam ser encarados como uma parte preciosa da nossa história, mesmo os aparentemente mais chatos e insignificantes porque, afinal de contas, a história é composta de pequenos grão, pequenos pixels que formam a imagem completa.

Se amanhã é um dia importante, ele só pode ser porque existem vários dias anteriores que tornam possível o seu acontecimento. O passado, por sua vez,  é o que dá significado às coisas, mas só tem importância se temos consciência do presente.

O presente não está atrelado somente ao passado e nem somente ao futuro. Para que exista o "hoje", necessita haver um "ontem". E para que exista o "amanhã" precisamos obrigatoriamente passar pelo "hoje".

Portanto, felicidade é dar a importância devida ao presente, porque nele estão contidas as consequências dos acontecimentos passados e é o passo necessário para que se chegue ao futuro. O presente é o que conecta e contém tudo ao mesmo tempo.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Amadurecimento

Quero que a vida me surpreenda e me arrebate com seus extremos
Sou criança e recém aprendi a andar
Não temo, pois acredito em algo mais
E porque sei que nada de tão ruim pode acontecer

...

Desafio a mim mesmo e ao mundo
Como saberia até onde posso ir se nunca experimentei meus limites?
E só consigo vê-los se chegar próximo o suficiente

...

Agora me angustio
Sei que a flecha atirada não volta atrás
Olho ao redor e percebo que não estou tão sozinho
Fico triste
Não por mim mesmo, mas por muitos que vivem
E sofrem

...

Porém, vejo e aprendo pelas experiências
Quero alcançar o fruto mais alto da árvore
Mas meus braços não são longos o suficiente
Não há mais nada por perto
Nem ninguém
Quero subir na árvore, mas tenho medo de cair
Respiro fundo e penso
Penso

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sociedade

O que é a sociedade?
É o racional feito de maneira irracional?
Ou é o irracional feito de maneira racional?
Ou poderia ser o irracional feito de maneira irracional, com pitadas de racionalidade?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ouça seu coração

Alguns dias atrás eu estava diante de uma decisão importante na minha vida. Então resolvi perguntar a opinião de um professor, da minha tia e do meu pai. Eu iria ouvir o que cada um pensava, ía dar uma refletida no assunto e chegar a uma conclusão por mim mesmo.

Cada um disse os prós e os contras que achava de cada alternativa, mas minha tia deu o melhor conselho que eu poderia esperar de alguém: "Escute seu coração, siga seu coração".

E assim eu o fiz. Falei com meu coração, no entanto, obtive o silêncio como resposta. O que foi um tanto quanto surpreendente para mim, mas a explicação é simples. Deixando as metáforas de lado, às vezes na vida nós nos preocupamos tanto com as vantagens e desvantagens em fazer as coisas que acabamos nos esquecendo da nossa própria felicidade. Será que estamos realmente fazendo algo que gostamos?

Eu acabei deixando-me levar pelo fluxo da vida, parei de "conversar" com meu coração, a ponto de não saber mais o que eu realmente gosto de fazer, o que eu realmente quero nesta vida. Acho que é a hora de voltar a arriscar um pouco e encontrar meu caminho.

Por fim, eu queria deixar uma reflexão do Flávio Siqueira que eu acho que é apropriada:

"Até que ponto você tem construido seu caminho sob a sombra do medo?"
"Até que ponto você age ao invés de reagir?"

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sonho e Vida

O que é a vida sem sonho?
Todos que vivem sonham?

Só quem vive sonha
Mas só vive quem sonha?
Em outras palavras,
Só quem sonha vive?

Enfim,
Seria sonhar sinônimo de viver?

domingo, 7 de março de 2010

Histórias do Subconsciente - O Pai e o Filho

Acabei de acordar. Ainda estou com sono e vou dormir de novo, eu acho. Mas estou aqui pra postar essa história porque tive um sonho, daqueles perturbadores, com o tipo de história que só o subconsciente da gente consegue criar. A história segue abaixo.

Era uma família que vivia uma vida muito boa e tranquila. Tinha o pai, o qual tinha um bom emprego e, nos tempos livres, trabalhava no orfanato que fundou. A mulher era uma dona de casa primorosa, esposa e mãe carinhosa. E o filho era um moleque comum, mas muito inteligente e feliz. Cresceu junto com os garotos do orfanato, que eram como irmãos para dele.

Porém, com o passar do tempo, o menino começa a perceber certas coisas. De vez em quando, ele sofre alguns lampejos nos quais ele consegue ver os pensamentos do próprio pai. O pai percebe que o filho está cada vez mais entrando em sua mente e começa a revelar seu lado vil e perverso. Ele mata a própria esposa e começa a matar as crianças do orfanato uma a uma, na frente do garoto, mostrando uma personalidade infantil e sombria, que não consegue admitir uma "derrota".

Chegando finalmente ao banheiro e prestes a matar o próprio filho, o pai olha nos olhos da criança. E então a criança o fala a verdade que os dois sabiam de certa forma, mas que nenhum dos dois queria admitir.

O filho, a esposa, o orfanato, toda aquela realidade não passava de uma fantasia criada pelo pai em resposta a uma culpa muito grande que ele sentia devido à morte de uma criança em uma circunstância que não ficou clara no sonho.

O pai, percebendo o que acaba de ouvir, tem um surto de insanidade no qual começa a gargalhar como louco. E chorando, ele abraça o filho, aceitando finalmente sua própria culpa.

Tudo se fecha na escuridão.

O menino acorda numa cama, ao lado de uma mulher meio idosa. Tinha adormecido enquanto via televisão. Ele levanta e chama sua avó e seu avô para saírem. Pega a bicicleta e vão para um parque. Ao sentarem na grama para descansarem, o menino pede para que contem sobre pai. O pai tinha morrido logo quando ele nasceu. Suicidou-se.

Aquela era uma outra realidade deixada pelo pai para o filho, como um último ato de redenção, na qual ele se mata enquanto é jovem para evitar que traga sofrimento a si mesmo e ao garoto, e permite que o menino viva uma vida verdadeiramente feliz, criado pelos avós.

O pai e o filho eram faces de uma mesma pessoa que trava uma batalha mental contra si mesma. Porém, ao criar uma segunda realidade, o pai consegue desassociar as duas imagens e dá uma nova oportunidade ao filho de ser feliz, se tornando pai e filho verdadeiramente.

O fato de o pai matar todos reflete sua imaturidade em relação à culpa que sente, demonstrando sua incapacidade de aceitar que a realidade não passa de fantasia. Ele se revolta e tenta destruir tudo, sem querer deixar espaço para que o filho diga a verdade que o machucaria e significaria sua "derrota".

Isso é irônico pois demonstra um filho mais maduro e inteligente que o pai na história. Um filho que se mostra mais racional enquanto o pai é guiado pelos seus sentimentos e medos. Fato que, de certa forma, me diz que a criança, na sua inocência, tem uma capacidade maior de encarar certas coisas que o adulto, cheio de medos e preconceitos, não consegue.

No sonho, eu me vejo no papel do pai em algumas horas e de filho em outras. Eu sou o filho no início do sonho, mas quando o pai mata todos e chega para matar o menino no banheiro, eu sou o pai que olha em seus olhos e escuta o que ele fala. Na segunda realidade, eu me vejo no papel de filho novamente.

Não é o primeiro sonho que eu tenho com esse nível de realidade e profundidade. De vez em quando acontece. Em uma das vezes, eu achei a história tão interessante que evitei escrevê-la aqui porque ainda pretendo fazê-lo algum dia de forma decente, para publicação. Mas ainda preciso desenvolvê-la melhor.

Não sei o que esses sonhos significam, acho que ía ser legal se um psicanalista pudesse me dizer. Só sei que quando os tenho acordo assustado devido à realidade e intensidade deles. É raro acontecer, mas vou procurar postar aqui os próximos que vierem, sempre que tiver um sonho desses.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Motivação

Todo semestre ou ano, eu tinha uma palavra ou expressão diferente entre parênteses no meu msn.
Já tive disciplina, empatia, e força de vontade e talvez alguma outra que não lembre no momento.

São como mantras que repito para mim mesmo durante o tempo em que estão lá, para me lembrar de coisas que são importantes para mim em épocas particulares, de coisas que quero cultivar, e me servem de motivação para fazer o que devo do jeito correto, principalmente em momentos difíceis.
E, toda vez que entro no messenger, a palavra está lá para me lembrar, para não me deixar esquecer, e a observo quase todos os dias.

Ano passado não tive nada.
Não que tenha sido um ano ruim, mas poderia ter sido melhor. Alguns contra-tempos, fiquei mal, senti-me desmotivado. Posso dizer até que fui fraco.

Mas ontem tive uma epifania, um raio de luz.
Decidi que neste semestre ou neste ano, devo manter o pensamento reto e mirar no que é concreto.
Acho que a palavra correta seria foco.
Não devo me desviar do caminho, pelo menos pelos próximo seis meses, enquanto ainda tenho um restinho de curso a percorrer.

Provavelmente, quando terminar, terei que repensar muitas coisas e será um tempo de "renovação". Imagino que talvez seja essa a palavra para o próximo período (?).

Coisa de ano novo, eu acho. Mas quem viver, verá.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sono e a Força de Vontade

De sábado para domingo fui dormir 5h da manhã. Acordei 14:30, almocei, voltei a dormir por volta das 16:30 e acordei 18:30. Só dormi novamente às 20:30 do dia seguinte (segunda-feira). Acordei 00:30 da terça.

Ou seja, não tenho dormido muito bem... De domingo para segunda fiquei acordado 26h seguidas, dormi por 4h e agora só posso voltar a dormir lá pras 18h, depois de mais umas 17h acordado.

Será que eu aguento?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Foi com a fumaça

Engraçado como quando eu chego bêbado da rua fico postando letras das músicas que eu vo escutando aqui, hauehauheuahe. (No outro dia eu nem lembrava desses últimos dois posts.)

Uns dias atrás tive um sonho engraçado.
Era tipo a historinha de uns maconheiros viajantes.

Depois de iniciar sua jornada nômade a algum tempo, os maconheiros param para invadir uma casa aparentemente abandonada pra passar um tempo e descansar antes de continuar a viagem.

Eles pulam o portão e chegam no jardim.
A casa tem um quartinho nos fundos, que é separado por uma portinhola de madeira, e a construção principal, que tá cheia de mato crescendo e parece bem abandonada.

Mas antes de arrombar a porta e entrar, ao se aproximar da casa, acontece algo que os faz parar. Frente a eles aparece o fantasma de uma menina pálida, cheia de sangue, e os ameaça:

- Olha, se eu fosse vocês, não invadiria aquele quartinho lá atrás, porque é onde eu estou morta, senão vocês vão se arrepender.

A essa altura os maconheiros já gelaram.
Ela continua:

- E se eu fosse vocês, também não invadiria essa casa, porque é onde a pessoa que me matou vive e ele é pior do que eu. Ele é um demônio e se vocês entrarem, ele vai matar, torturar e queimar vocês.

Então os maconheiros decidem acampar no jardim mesmo e ficar ali fumando a maconha deles. Nisso a fumaça sobe, amanhece o dia e eles decidem continuar o caminho. Sem saber se aquilo foi de verdade ou uma alucinação coletiva, eles vão embora e a fumaça vai junto.

Quando perguntam pras pessoas do local se alguém viu os tais maconheiros, todos negam. Por isso que hoje em dia, quando perguntam "cadê fulano?" e não se sabe, as pessoas respondem "foi com a fumaça".

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Loucura e Vontades

- Madness? This is SPARTA!!!

Vai dizer que você nunca quis fazer algo assim?

Como tava conversando com o Limongi outro dia, acho que todo mundo tem umas vontades loucas de vez em quando, não?

Tipo quando você tá no carro, segurando o celular na mão e dá vontade de jogar ele pela janela pelo simples prazer de ver o caos e a destruição.

Ou quando tá passando uma pessoa na rua que você nem conhece e nunca viu na vida e te dá vontade de dar um soco na cara dela ou então uma voadora.

Fora outras coisas menores e sem sentido.

Vocês vêem... A distância entre pessoas loucas e pessoas normais é muito pequena.
O que pode diferenciar uma pessoa normal de uma louca é simplesmente o fato de dar ouvido a suas próprias vontades ou não.
Tanto é que muita gente sob certas circunstâncias acaba perdendo o controle e fazendo coisas que não fariam normalmente. Do tipo que pessoas normais não fariam, coisa de gente doida mesmo.

Não vou citar exemplos aqui, todo mundo deve saber alguma engraçada, mas o fato é que vontades todos temos, se temos o autocontrole e se as realizamos ou não é outra história.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Visão Pessimista sobre o Ego

Já perceberam que tudo o que fazemos é exclusivamente voltado para satisfazer nosso próprio ego?

Em geral, fazemos as coisas porque gostamos, porque achamos certo ou porque nos trará algum bem.
Mas mesmo nos casos em que somos obrigados a fazer alguma coisa, nos submetemos a fazê-lo apenas porque mentalizamos que há um ganho se fizermos, alguma penalidade se não fizermos ou que é alguma retribuição por ganhos passados. Se vemos que não há nada disso, então por que fazer?

Como já vi alguns dizerem, quando discutimos sobre algum assunto, não estamos interessados sobre a opinião do outro realmente ou em aprender com ele, mas queremos provar que estamos certos para sair por cima, com o ego massageado.
E mesmo que estivéssemos, apenas estariamos por imaginar que esses conhecimentos e/ou informações adquiridas serão úteis, importantes para nós, ou simplesmente porque nos interessa.

Quando fazemos amigos, não queremos amigos que falam o que pensam ao extremo. Ninguém gosta de quem fala a verdade o tempo todo porque isso muitas vezes fere nosso ego, seja por alguma opinião desagradável ou por apontar falhas, erros e defeitos que nos fazem sentir mal. (Mas quem está realmente errado? A pessoa por falar o que pensa ou nós por dar importância pra determinadas coisas?)

Pegando outro exemplo radical, vejamos o caso da solidariedade.
Quem nunca ouviu uma pessoa após ajudar outrem dizer: "A minha maior satisfação é ver a felicidade dessas crianças/dessas pessoas."
Ou então são a favor da preservação da natureza pois estão preocupadas com o futuro do planeta onde seus filhos vão viver.
Empresas, no caso, ganham incentivos fiscais para serem solidárias.
Em outras palavras, pessoas são solidárias simplesmente porque lhes traz satisfação, alívio próprio de consciência ou pra ficar bem na fita.

Poderia-se dizer então que por trás de toda ação e pensamento, há um sentimento egoísta.

Mas voltemos ao título do post, "Visão Pessimista sobre o Ego".
Muita gente vai discordar do que eu escrevi aqui, porém, como disse, isso é apenas uma visão, uma forma particular de ver a realidade que pode estar certa ou não.
Pra quem tem sensibilidade, a vida pode ser muito mais que isso e, pra quem é sábio ou ignorante o suficiente, isso tudo não tem a mínima importância.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Template do blog


Acho que já deu. Eu não, mas enfim (ahahaha, essa foi horrível)... To há mil anos falando que vo mudar o template do blog. Até cheguei a olhar vários, mas não quis me decidir por nenhum.

Sim, vo jogar a batata quente pra vocês.

To aceitando a opinião de leitores do blog, de não-leitores do blog e até de pára-quedistas do Google (se é que há algum).

As opções são:
Big Head
Transparency
Connexion
Ou que continue o mesmo.

Eaí, qual vai ser?