sexta-feira, 13 de julho de 2018

Masquerade

É a máscara que expõe minhas contradições
Cauteloso, hesitante, conturbado,
Prossigo a passos lentos

Mentira

Me jogo
Me jogo para tentar sentir algo diferente
Me jogo para tentar me sentir vivo
Mas, no fundo, é tudo igual
No fundo, como na caixa de pandora, encontro apenas uma coisa

quinta-feira, 24 de maio de 2018

31 anos

"Tenho medo do futuro
Tenho medo dos meus pais não viverem o bastante para verem meus filhos
Tenho medo que meus show será um fracasso
Tenho medo que minha namorada não fique grávida no exato momento que queremos
Tenho medo que eu nunca vou atingir meu potencial verdadeiro
Tenho medo que ela ainda ame aquele cara"

Não fui eu quem escreveu o bilhete e a letra não é minha, é de uma pessoa famosa. Não representa exatamente o que eu penso ou sinto no momento mas, quando foi postado no Instagram, muitos disseram que estava depressivo ou que era suicida.

Semana passada fiz 31 anos. Procurei comemorar cada dia pelo menos um pouco, do meu jeito, por uma semana. Minha vida não é perfeita, nem do jeito que eu gostaria exatamente. E também tenho medo de coisas no futuro. Ainda assim, tá tudo bem, porque a vida é assim.

Quando a gente posta qualquer tipo de coisa, coisas boas ou ruins, pessoas julgam, sentem vergonha alheia, inveja, o que seja. Sempre há quem julgue. Pra quem é famoso, como o autor do bilhete, deve ser ainda pior. Porque pessoas famosas, teoricamente, tem vidas boas e maravilhosas. Porém, mesmo elas tem problemas e inseguranças. Todo mundo tem.

Não tô aqui pra dar lição de moral ou dizer que as pessoas são hipócritas. E não quero criticar o ambiente das redes sociais, porque isso já é clichê. Só queria dizer que, assim como há pessoas que julgam, se você tá mal ou com algum problema, sempre tem pessoas para escutar e ajudar. E, de vez em quando, a gente precisa sim ouvir coisas boas, um apoio moral ou ser ajudado. Então, sei lá, só queria deixar uma mensagem positiva aqui. Aproveite a vida, busque coisas boas, seja feliz.

Por fim, fiquei sabendo por acaso de um PM chamado Rayrisson, foi atacado e ficou cadeirante, e resolvi ajudar. Não conheço ele pessoalmente, mas o link da vakinha dele é:
https://www.vakinha.com.br/vaquinha/adaptando-se-a-uma-nova-vida
Se não puder ou não quiser ajudar ele, tem outras pessoas que precisam da sua ajuda também e acho que não custa muito fazer algo assim pelo menos de vez em quando.

domingo, 11 de março de 2018

Meditação e aceitação

Há algum tempo eu era obcecado com a ideia de aceitação. E, de certa forma, é o que todo mundo diz.
"Aceite mais o seu corpo."
"Não dá pra mudar o passado, resta aceitar."
"O que não se controla, aceita-se."
"As pessoas são imperfeitas, tem defeitos. As pessoas erram. Cabe a nós aceitá-las como são."

Acho que eu realmente acreditava nesse tipo de coisa. Mas, sabe, aceitação é como aquele remédio ruim que você toma. Você toma porque acredita que ele vai te fazer melhor, mas a experiência não é agradável e deixa um gosto amargo na boca.

Ultimamente tenho criado o hábito de meditar. Tenho meditado todos os dias ou quase. E tem sido muito interessante. Meditar não significa não pensar em nada. Meditar não significa controlar seus pensamentos. Pensamentos vêm e vão e, na maioria das vezes, sem o nosso controle. Meditar te ensina a deixar os pensamentos fluírem de uma forma mais livre. Te ensina a não necessariamente ter uma resposta emocional quando os pensamentos vem, nem positiva e nem negativa. Te ensina a dissociar pensamento de sentimento e criar mais equilíbrio. Te ensina a julgar menos aquilo que vem à cabeça.

Voltando à questão da aceitação. O fato de aceitar nos coloca em uma posição julgadora.
"Eu julguei a situação passada como ruim. Estou tentando aceitá-la."
Aceitar o que é bom é fácil, é automático. Quando se fala em aceitar, refere-se às coisas ruins. E, por mais que se aceite, o gosto amargo no fundo da boca permanece. E, nisso, a meditação pode ajudar. A meditação ajuda a te tirar dessa posição julgadora, de ficar avaliando coisas como boas ou ruins. E isso te liberta.

Por fim, quando julgamos algo, nos colocamos na posição de juiz. Julgando alguma coisa como ruim e dizendo "eu aceito isso", nos colocamos acima do mundo. Nos colocamos como centro do universo. Colocamos nosso valores como superiores. Alimentamos nosso ego. Alimentamos nosso viés e nossos preconceitos.

sábado, 10 de março de 2018

O problema da paixão

Paixão... Paixão é aquilo que foge do racional. Paixão é aquilo que acontece quando nossos olhos brilham por alguém. É quando vemos o extraordinário no ordinário. É quando o coração bate mais rápido e mais forte. É quando enxergamos beleza naquilo que é comum.

Mas tem uma coisa engraçada sobre a paixão. Muita gente já deve ter passado por uma situação dessas... Sabe quando você conhece alguém e você pensa: "Nossa, essa pessoa super combina comigo, a gente daria super certo juntos. Ela é uma companhia agradável e gosto dela, mas acontece que não me apaixonei por ela"? Ou, às vezes, você conhece uma pessoa que não tem nada a ver contigo e, mesmo assim, você se apaixona por essa pessoa, sabendo que dará errado.

A paixão parece algo quase mágico. Coisa que viola o nosso livre-arbítrio de escolher por quem a gente deveria ou quer se apaixonar e com quem se relacionar. É uma coisa meio impositiva que recai sobre a gente. A razão manda uma coisa, a paixão quer outra.

Mas, afinal de contas, o que faz despertar nossa paixão? Até que ponto temos o poder e o direito de escolher por quem nos apaixonamos?

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Window in my heart

There is a window in my heart
That I could not close
And too big to be ignored
The name of this window is happiness

Most people just enter straight through this window
And they never close it or make it smaller
They make it bigger so they can pass
So they can fit

Then, my heart gets full of joy
I rejoice due the people that come and stay
My heart gets bigger and brighter
And the spaces and hollows get filled and smaller

If I could tell you something right now...
Don't close the windows of your heart

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

ἐνέργεια

ἐνέργεια
Sinto o ar que adentra meus pulmões
Sinto o sopro de vida em minha nuca
Estou conectado comigo mesmo e com o mundo
Sou mais forte que Atlas, mais rápido que Hermes
As Moiras não me controlam
Tânato não me amedronta
Não há vales sombrios
Apenas planícies ensolaradas
E pelo menos por hoje
Pelo menos agora
Vamos saborear este momento
Se o amanhã é triste, fúnebre e tenebroso
Que seja

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Metas pessoais para 2018

- Continuar tentando ser uma pessoa melhor
- Continuar tentando ser menos burro
- Continuar cultivando meus próprios valores
- Voltar a ter uma visão mais simples da vida
- Cultivar sentimentos positivos
- Praticar aceitação, desapego, compaixão e selflessness
- Ser mais disciplinado
- Ter mais humildade

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O que eu aprendi em 2017

Aprendi que a vida pode ser plena.
Aprendi que a vida pode ser vazia também.
Aprendi que não preciso estar motivado pra fazer grandes coisas.
Aprendi que posso me superar.
Aprendi a me reinventar.
Aprendi a gostar de mim.
Aprendi a olhar mais pra mim mesmo e menos para os outros.
Aprendi que não estou sozinho.
Aprendi que tenho muitos amigos e que tem muita gente que gosta de mim e que me apoia.
Aprendi que a vida é cheia de defeitos e é isso aí, tem que lidar com isso.
Aprendi que ter objetivos e metas é importante e que um objetivo não pode ser algo que se considera opcional.
Aprendi que coisas são passageiras, mesmo aquelas que achamos que estão escritas em pedra.
Aprendi a perdoar.
Aprendi que tenho muito a melhorar.
Aprendi que um ponto de vista é só um ponto de vista.
Aprendi a ser menos burro.
Aprendi a ter menos expectativas.

É isso. Que 2018 seja pior para que eu seja melhor ainda.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A coisa mais importante do mundo

Confesso que, quando iniciei a escrita deste texto, não sabia muito bem aonde queria chegar. Ainda não sei para falar a verdade.

Felicidade? Amor? Tempo? Família? Amigos? Qual é a coisa mais importante do mundo?

Amor... Amor redime, amor salva, amor cura. Amor dá sentido à vida. Há quem acredite que sem amor a vida não é completa.

Felicidade... Felicidade é um conceito mais vago e subjetivo. Pode incluir a construção de uma família ou alcançar alguma meta profissional. Geralmente é associado ao conjunto da obra de uma vida, de tijolos colocados um a um, que levam a um estado de espírito superior. É o que imaginamos que resta depois que alcançamos um sonho. Muitas vezes é a finalidade de uma vida.

Sonhos... Sonhos são a síntese do que queremos. É o ideal platônico encarnado em nós. Todos desejamos alguma coisa. Todos somos seres desejantes. Quem não tem um sonho, não tem nada.

"Sonhos. Cada homem necessita perseguir seu sonho. Cada homem é torturado por seu sonho, mas é o sonho dá significado à sua vida. Mesmo que o sonho arruíne sua vida, o homem não pode permitir-se a deixá-lo para trás. Neste mundo, seria o homem capaz de possuir algo mais sólido que um sonho?"

Há quem diga que nada disso basta e que nada disso faz sentido se não vivemos uma vida moral. Se mentimos, enganamos ou roubamos para conseguir o amor de uma pessoa, alcançar a felicidade ou um sonho, ainda são válidas as coisas que conquistamos? Faria sentido ter amor e felicidade se somos canalhas, traiçoeiros e ardilosos? Ou valeria mais à pena ser infeliz e sozinho e ser uma pessoa correta? Os fins justificam os meios? A moral e o caráter valem mais que amor, felicidade e sonho?

Queria terminar este texto com um trecho do discurso de formatura de David Foster Wallace no Kenyon College, "Isso é água". Ainda quero retomar uma discussão sobre essa palestra futuramente em outro post, mas, desde já, recomendo.

"Porque existe uma coisa que é estranha, mas é verdade: nas trincheiras do dia-a-dia da vida adulta, não há uma coisa chamada 'ateísmo'. Não existe algo como 'não venerar'. Todo mundo venera. A única escolha que fazemos é o que venerar... Se você venera dinheiro e coisas - se isso é onde você encontra significado na vida - então você nunca terá o bastante. Nunca sentirá que tem o bastante. É a verdade. Venere seu próprio corpo e beleza e atração sexual e você sempre se sentirá feio, e quando o tempo e a idade começarem a aparecer, você morrerá um milhão de mortes antes de finalmente morrer... Venere o poder - você se sentirá fraco e com medo, e você vai precisar de cada vez mais poder sobre os outros para manter o medo controlado. Venere seu intelecto, ser visto como inteligente - você vai acabar se sentindo estúpido, uma fraude, sempre no limite de ser descoberto."
- David Foster Wallace

Qual é a coisa mais importante na sua vida? O que você venera?

Há sempre aquela coisa que é, ao mesmo tempo, causa potencial de nossas alegrias e tristezas. Tudo depende do que você quer e do que você valoriza.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O que buscar em um relacionamento?

Minutos Psíquicos é um canal do YouTube sobre psicologia. Recentemente, eles fizeram uma ótima série de vídeos sobre relacionamentos, incluindo temas como casamento, estar solteiro e a busca pela pessoa certa:



Há vários pontos interessantes nos vídeos. Sintetizo aqui os que mais me chamaram a atenção:
- Casar não te faz necessariamente mais saudável ou mais feliz;
- Casais que dão certo possuem boa comunicação e se focam nos aspectos positivos do parceiro para construir sua visão global do parceiro e do relacionamento ao invés de focarem em aspectos negativos;
- Com o passar do tempo e mudança das pessoas e do relacionamento, os casais que dão certo mudam aquilo que valorizam mais, passando a dar menos importância às coisas que pioraram;
- Casais felizes entendem os comportamentos negativos do parceiro como motivados por fatores externos. São mais benevolentes e tolerantes com erros e defeitos do parceiro;
- Casais infelizes vêem comportamentos negativos do parceiro como características indesejáveis dele, são menos benevolentes e menos tolerantes;
- Casais dispostos a fazer sacrifícios pelo bem do relacionamento conseguem lidar melhor com os problemas, divorciam menos e correm menos risco do relacionamento se deteriorar;
- Solidão crônica faz mal para a saúde, mas apenas àqueles que não escolheram estar sozinhos;
- Pessoas solteiras tendem a se sentir mais conectadas aos outros (família e amigos) do que pessoas casadas, possuem melhor forma e possuem mais autodeterminação e desenvolvimento pessoal;
- A sociedade cobra que as pessoas casem e tenham filhos, mas não há uma fórmula única de viver a vida que fará com que todos sejam felizes;
- Não somos racionais quando escolhemos nossos parceiros. Devemos aprender a julgar a pessoa com que estamos de maneira mais lúcida e racional;
- Atração física é importante no início, mas, a longo prazo, a personalidade e a maneira como a pessoa te trata são mais decisivas;
- Muitas vezes somos vítimas do viés da negatividade. Prestamos mais atenção nos defeitos do que nas qualidades dos outros. Ao invés de procurar pelas qualidades que nos fariam felizes em uma pessoa, acabamos rejeitando-a assim que identificamos algo negativo. Ninguém é perfeito, portanto, rejeitar rapidamente uma pessoa ao identificar um defeito pode levar a rejeitar uma pessoa com várias qualidades positivas que são mais importantes que o defeito em si e, por consequência, rejeitar uma pessoa que talvez te fizesse feliz;
- Há também o fenômeno ou efeito Michelangelo. Por vontade própria ou não e de maneira consciente ou não, acabamos esculpindo o self, as habilidades e personalidade do parceiro. Essa influência pode estimular ou inibir o crescimento e a relização pessoal do parceiro, aproximando-o ou distanciando-o do self ideal. O self ideal é a visão ideal de quem você gostaria de ser e está relacionado a como você se imagina no futuro, quais características e habilidades você idealmente quer ter e em quais metas e objetivos você quer chegar;
- Um parceiro romântico pode te ajudar, ser neutro ou te atrapalhar a tentar alcançar o self ideal, dependendo de como ele te vê e de como ele te trata. Devemos nos relacionar com pessoas que nos estimulem e nos apoiem a ser quem gostaríamos de ser. Pessoas que fiquem felizes quando nos aproximamos do nosso self ideal. Com isso, melhoram o bem-estar, a saúde e a qualidade do relacionamento;
- Devemos nos afastar de parceiros que nos desaprovam e que nos afastam daquilo que valorizamos, dos nossos objetivos e do nosso self ideal. Há pessoas que são muito mais inimigas do que aliadas da nossa felicidade.

Às vezes pode parecer difícil encontrar alguém que nos complete, ainda mais em tempos líquidos como os nossos. Acho que compreender o que acontece com nós mesmos e com os outros é o primeiro passo.