sexta-feira, 21 de julho de 2017

Paradoxo do amor

Todo mundo tem defeitos e qualidades. Mas, muitas vezes, quando adentramos um ambiente social novo ou acabamos de conhecer alguém, escondemos um pouco os defeitos. Normalmente evitamos ser grossos ou mal educados com pessoas que não conhecemos ou com quem não temos intimidade. Por outro lado, as pessoas mais íntimas a nós, as que mais gostamos, são as que mais sofrem com os nossos defeitos. Esse é o paradoxo.

Geralmente são as pessoas que mais amamos e mais próximas a nós que tem que lidar com nosso estresse, nossas angústias, nossa irritação. Damos respostas atravessadas, chegamos atrasados com quem temos intimidade porque, no fundo, temos a esperança de que aquela pessoa é a que nos compreende e que nos perdoa. Nem sempre é o caso e nem sempre o outro é tão compreensível. O outro também tem seus defeitos, limitações, irritações.

Por fim, para encerrar em uma nota positiva, digo que a pessoa próxima que mais sofre com os nossos defeitos, que colhe os ônus de conviver conosco também é a que colhe os maiores bônus dessa convivência. É a que consegue enxergar e reconhecer em nós as nossas qualidades e que recebe os maiores benefícios das mesmas. E, se as qualidades realmente compensam, então vale a pena suportar os defeitos, sim.

Raposa

Existem homens, mulheres, velhos, crianças, pessoas
Pra mim, existe você
Raposa astuta e arisca, desconfiada

É difícil descrever a vida de antes de te encontrar
Tudo parece lembrança distante
Agora meus dias são mais floridos e ensolarados

Não foi paixão tórrida, não foi paixão de filme
Foi paixão tímida e arredia, como não poderia deixar de ser
E se transformou em amor cálido
Amor de aprendizado e de companheirismo
Amor simples, simplesmente amor
Amor pra vida toda
Amor amor
Raposa

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Legos da vida

Quando eu era criança, eu tinha um amigo do qual eu era muito próximo. Passávamos um bom tempo juntos, jogando video-game, brincando com Lego e outras coisas. Um certo dia, tivemos a ideia de juntarmos nossas coleções de Lego para termos mais peças e podermos fazer coisas maiores e mais legais. Fizemos isso sem consultar nossos pais e depois contamos pra eles. Lembro que, à época, minha mãe ficou bem brava e eu não entendia o porquê. Na minha cabeça, seríamos amigos para sempre e poderíamos sempre brincar de Lego juntos. Enfim, eu era apenas uma criança e minha mãe tinha razão no assunto. Meio contrariado, separamos todas as peças. Com certeza fiquei com algumas das peças dele e ele ficou com algumas minhas, nada demais.

Porém, o objetivo deste texto não é a anedota em si. Percebi, depois que comecei a morar com outras pessoas, que a história do Lego é uma paródia para a vida. Atualmente, moro com outras quatro pessoas, cada um com seu jeito, suas ideias e suas coisas. De certa forma, misturamos os Legos das nossas vidas e, agora que estou pensando em sair e voltar a morar sozinho, estou imaginando como vai ser o processo de separação. Porque os Legos não são apenas analogia para coisas materiais, como também para conversas e momentos compartilhados juntos.

Misturamos nossos Legos com de outras pessoas em maior e menor grau durante todas nossas vidas. Acredito que, para um casal que passou anos casado, uma separação, em especial litigiosa, deve ser bastante complicada. Legos que foram misturados, trocados e transformados não voltam mais a ser como antes. Como dizer o que é de quem, sendo que as peças nem são mais as mesmas?

De qualquer forma, o mais importante é tentar sair satisfeito com os Legos que a vida te dá e estar feliz consigo mesmo.

Fuga da realidade

Uma vez meu pai me disse que estamos e estaremos sempre sozinhos nesta vida. Você nunca vai conseguir fazer as pessoas pensarem o que você pensa, sentir o que você sente e agir como você age. Você nasce sozinho e você morre sozinho. Quando duas pessoas fazem sexo, o prazer é de cada uma e o gozo é individual, por mais que as duas estejam ali envolvidas no momento. No seu íntimo, você é uma ilha, estará sempre sozinho.

Em parte, meu pai estava certo. O detalhe é que nossas interações com o mundo físico e social são ininterruptas. Por cima do seu íntimo isolado, você tem todo o resto. E você não consegue tirar o mundo da sua frente, ele está sempre lá. Nessas interações com o mundo, ele te afeta e você também afeta ele.

Há quem pense que o caminho para a felicidade está dentro de si. "Se meu interior está bem, não importa o que aconteça com o resto." Há quem se isole e há quem recorra a drogas, jogos, álcool e outros subterfúgios. Porém, isso não passa de fuga da realidade.

Somos animais sociais e nossos bem estar e saúde íntimos estão atrelados às nossas relações com o mundo. Buscar uma conciliação com o mundo e com a realidade, com todos os problemas, misérias, crueldades e ignorâncias, com nossos próprios defeitos e limitações é o que traz a paz interior e possivelmente a felicidade. É importante viver o mundo no mundo.

Não somos simplesmente uma ilha, o mundo está sempre lá. Você não consegue dissociar você mesmo do resto e, por mais que fujamos, uma hora a realidade bate à nossa porta.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

I wonder... What am I doing? What has changed?

Hoje senti como se estivesse meio perdido na vida. Não foi a primeira vez, nem vai ser a última. Tampouco sou o único a me sentir assim. Vários já relataram e interpretaram esse sentimento. Contudo, acredito que a sabedoria de vida ensina que nem tudo que há e que acontece necessita ter um propósito como imaginamos. Aprender a lidar com esse sentimento significa tornar-se mais sábio. Não só lidar, mas aceitar e até gostar. Porque, se por um lado, estamos perdidos, quer dizer também que estamos livres para deliberar sobre nossos caminhos e nossas escolhas.

"Quem manda em mim, quem me amarra, quem me controla também me seduz. Quem me dá liberdade me joga num vazio difícil de ser preenchido."

Esse vazio chamado liberdade... Muitas vezes optamos por nos prender a algo, numa espécie de servidão voluntária, para não sentirmos o vazio existencial e a angústia de tomarmos decisões que implicam, necessariamente, em perdas. Inclusive fazemos isso quando assumimos para nós uma certa identidade. Buscamos essa segurança e colocamos a culpa no "eu" como se falássemos de outra pessoa, pela qual não temos responsabilidade. "Não tenho culpa se sou impulsivo, se sou nervoso, se sou irritado."

Ultimamente, tenho me observado mais e aprendido a lidar melhor com meus sentimentos e pensamentos. O mundo me alegra e me entristece sem que eu tenha controle sobre isso. Mas, no fundo, o que mudou de verdade? Quase nada... Apenas uma súbita realização da minha própria ignorância, à medida em que tomo conhecimento e interajo com as coisas que me cercam.

E, por fim, tenho conseguido me alegrar, mesmo com a minha própria tristeza, justamente por ser uma tristeza auto-consciente, a qual eu aceito, vejo como parte da minha existência, e de mim mesmo. Alegro-me também por saber que a tristeza, por pior que seja, assim como a vida, é passageira.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Amor fati

“I am the happiest man alive. I have that in me that can convert poverty to riches, adversity to prosperity, and I am more invulnerable than Archilles; Fortune hath not one place to hit me.”
― Thomas Browne

Minha armadura é de ferro
E meu coração é de pedra
Resiliência ou desapego?
De qualquer forma, o acaso não tem um só lugar para me atingir
O vazio existencial, o tédio e a angústia não me incomodam e nem me entristecem
Sou apenas aquilo que posso ser
O mundo é apenas aquilo que pode ser
Amor fati
Shitaka ga nai

“Não importa o que a vida fez de você, mas o que você faz com o que a vida fez de você.”
― Jean Paul Sartre

terça-feira, 5 de abril de 2016

Quis sum ego?

Não sou X ou Y
Não sou verde ou azul

Olho no espelho e não me vejo
Não me vejo porque não estou lá
Só há o outro, projeção do meu ser e dos outros
Sombra e ilusão

Não me reconheço no mundo, me distancio
Alheio aos prazeres, dores e sabores

Quis sum ego?

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Contemplação

Percebo agora que os motivos de minhas tristezas são pequenos
Assim como os de minhas alegrias
O que me sobra é um estado de contemplação
De contentamento
E de alegria por estar vivo

Vivo neste instante, no presente
Nos encontros e desencontros com o mundo

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Ainda estou vivo

Estou triste
Quero chorar, mas não consigo
Minhas lágrimas já secaram
No fim das contas, acho que sempre foi assim
Até que ponto sou humano?
Até que ponto me importo com as coisas?
Onde está o ponto de equilíbrio?

Vários antes de mim já disseram:
"Só se morre de tristeza"
Ainda estou vivo

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Eu, o mundo e a vida

Apesar de todas as tendências destrutivas do mundo
A vida em mim urge por continuar
Meu corpo clama por vida
Contrário a todos meus esforços não-intencionais em acabá-la

Uma hora, o mundo há de ganhar
Enquanto isso, vivo
Pois o mundo só faz sentido enquanto existo
Enquanto estou aqui para contemplá-lo
E julgá-lo

Eu, o mundo e a vida
Diferentes, porém, inseparáveis